quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

É isso


Então crescemos e aquele nosso amor platônico se transforma no cara mais babaca que já conhecemos. A 
época de colégio acaba e finalmente a hierarquia dos grupinhos populares vai por água abaixo. 
Malhação vira mais um programa chato da Globo. Nosso animal de estimação começa a 
não ter mais tanta disposição. Então nossas melhores amigas já não são tão melhores assim. Mudamos 
de gosto musical. Percebemos que as primas que eram bebês até pouco tempo já sabem dançar funk. 
Então amamos um cara. Logo depois aprendemos a lidar com a distância. Então conhecemos outro 
cara. Logo depois aprendemos a dizer adeus. Então as preocupações do futuro se transformam e deixam
 de ter a ver com garotos. Temos que decidir o que fazer da vida. Então alguém que amamos muito é 
arrancado dela. A solidão deixa de ser só uma palavra. Começamos a preferir os livros sem imagens.
 Então vamos pra faculdade. Então tentamos nos misturar e acabamos esquecendo o que 
aconteceu na noite passada. Depois de alguns meses paramos de achar graça nas coisas que antes
 eram incríveis. Terminamos a faculdade e vamos em busca de um bom emprego. Então enfrentamos 
horas sem dormir e longe de computador.  Alguém diz que não somos boas o suficiente. Ligam
 pra informar que nosso animal de estimação faleceu. Então mudamos de emprego, de cidade, 
de cabelo, de guarda-roupa, de carro, de melhor amigo, e mais uma vez, mudamos a
 maneira de ver a vida. Fechamos os olhos e achamos que as coisas estão mais
 loucas do que nunca. Aí lembramos que já passamos por tudo isso que acabei de contar. 
Então adormecemos e acordamos sem lembrar de nada. É isso.


Texto: Bruna Vieira 


Nenhum comentário:

Postar um comentário


Abra seu coração aqui!

A rosa que não lhe dei

Não sei exatamente onde tudo se perdeu. Se foi na brincadeira ou na própria desculpa que era outra brincadeira, segundo você mesmo. Acr...