sexta-feira, 1 de junho de 2018

A rosa que não lhe dei


Não sei exatamente onde tudo se perdeu. Se foi na brincadeira ou na própria desculpa que era outra brincadeira, segundo você mesmo. Acredito que o erro foi pensar em algum momento que o cuidado seria recíproco. Ou até foi, hoje não sei mais. A lenda de que uma mentira acaba com mil verdades parece mais real agora, mas não posso ocultar minhas falhas que foram grandes também. Eu sempre senti muito e você sabia disso melhor do que ninguém, era fácil te contar dos meus sentimentos, era fácil te contar sobre tudo. Com isso, sabia que tinha acesso aos meus conteúdos internos que tentei esconder do mundo através de muros simbólicos e com muita destreza usou desse conhecimento para me afetar no sentido pejorativo da palavra, como consequência eu que muito sentia desde então não conseguia sentir mais nada. Eu que esbravejava quando não gostava de algo não conseguia dizer se quer uma única palavra, as lágrimas consegui conter até o momento mais propício e venho tentando deixá-las correr quando não a ninguém por perto.  
Hoje o Facebook trouxe lembranças de nós e não consegui esconder a saudades e falta que você me faz. É que achei que a dor passaria igual quando se quebra uma perna, por exemplo. A primeira instância a dor é imensurável mais gradualmente com o passar dos dias e com muito cuidado vai amenizando até virar uma cicatriz, mas na questão afetiva essa quebra de relação causa angustia e como faz para essa sensação passar? Eu pesquisei, é comprovado um giro no cérebro que causa essa tal sensação. A dor é real. O engraçado é que para a perna quebrada ninguém diz “sai dessa” ou até mesmo “para de frescura, não foi nada” e para um coração partido essas expressões são recorrentes com todo ar de arrogância e superioridade de quem não se entrega ao sentimento.
Como disse, muito dessa dor a culpa é minha também. Ninguém me pediu para te idealizar sem erros e nem muito menos para admirar seu jeito espontâneo e convicto de lidar com a vida, fiz por conta própria. Me lembro, de quando me levou para conhecer a Casa das Rosas e como aquele momento foi significativo para mim. Coincidentemente, no momento que sai de lá para voltar para minha casa, uma mulher vendia imã no trem e vi uma rosa parecida a qual gostamos e comprei para lhe presentear como forma de gratidão. No outro dia em que iria te entregar você faltou e me senti tão sozinha com aquele batalhão de sentimentos que depois nem entreguei mais, foi frustrante, sabe? Mas carreguei a rosinha comigo até o dia que me contou a verdade e horas depois me fiz dela na esperança que os sentimentos fossem também, não foram.
Ainda me sinto sozinha e sempre que tento contar nossas histórias para alguém não consigo terminá-las porque parece que só nós dois sabíamos a importância e significados sobre elas. Me dói não poder te contar o quanto isso me destruiu e como está sendo difícil recomeçar. Me dói fingir indiferença todo dia quando te vejo. Me dói não poder te contar as novidades. Me dói não te contar sobre as conquistas que tive e torcemos juntos para que dessem certo. Me dói não te contar que concordei com Freud pela primeira vez. Me dói não lhe contar sobre meus conflitos. Me dói minha dor ser sua perda. O pior de tudo isso é não saber como está levando sua vida sem mim ou se isso lhe doeu como me dói, se lhe faço falta como você me faz. Agora, todos os dias se parecem com aquele que você faltou.

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